Blog Renato Quintino

CHURRASCO, KASSLER E RISOTO

O artigo “Gastronomia e Vinhos da Serra Gaúcha” da minha coluna semanal “Sabores do Mundo” publicado na semana passada no Jornal da Pampulha e no jornal O Tempo está disponível no site abaixo assim como outros artigos de edições anteriores:

http://www.otempo.com.br/opini%C3%A3o/sabores-do-mundo/churrasco-kassler-e-risoto-1.930310

Gastronomia e vinhos num dos melhores roteiros de turismo do Brasil.

10 Vinhos Tintos para 10 dos Maiores Problemas da Vida

Emy Reis, Vanity Fair Ilustração de Emmy Reis para a Vanity Fair

É conhecido nos Estados Unidos a frase “dia do cabelo ruim”(bad hair day): quando a pessoa se levanta de manhã, penteia o cabelo e este não obedece, nada dará certo neste dia. Mas segundo o divertido post de Alex Beggs publicado hoje pela revista Vanity Fair, existe um vinho tinto específico para ajudar a lidar com cada um dos 10 maiores problemas cotidianos da vida.

A lista de infortúnios inclui término de namoros ou casamentos ( a sugestão é um Arianna Occhipinti’s SP68 Rosso, da Sicilia, “embora complexo, não há drama aqui”), a notícia do aumento do aluguel (2009 Red Hook Cabernet Franc do Brooklyn, “sempre haverá um ótimo vinho mais barato que você possa pagar”), um desastre no cabelereiro (”a diferença entre um mal e um bom corte de cabelo são 15 dias ou um Australian Shiraz like a d’Arenberg’s 2009 the Dead Arm”), uma tempestade que ensopa seus sapatos novos (”2010 Château du Cèdre, um Malbec de Cahors muito seco, afinal é tudo que você precisa agora”) e para quando você descobre que descobre que tem comida no seu dente desde o café da manhã (como o estrago já está feito, deixe seus dentes vermelhos com um 2009 Lapostolle Clos Apalta chileno).

Para quem derrama vinho tinto no tapete, a recomendação do “wine director” da “Crown Group Hospitality”, Jess Levine é se abster de tinto e beber vinho branco e proseccos.

E se de todo vinhos não forem suficientes, “sempre haverá tequila ou terapia”.

INGREDIENTES DEMONIZADOS

Em geral todo mundo come de tudo por aí, mas quando vê uma receita sendo feita, sente arrepios e calafrios ao se deparar com dois ingredientes que funcionam como bode expiatório para todos os excessos cometidos no dia a dia: o açúcar e a manteiga.

Açúcar é uma iguaria, fundamental em 90% das melhores receitas de confeitaria que a humanidade criou, além de ser parte decisiva de um bom molho de tomate (corrigindo a acidez) e do processo de defumação do Gravlax escandinavo.

Quando não havia açúcar em abundância, a novidade era trazido pelos árabes e gerava espanto em quem o provava.

A manteiga por sua vez é demonizada à décadas. A margarina que tinha surgido como sua “substituta natural” teve agora sua “máscara caída” e longe dos clichês de comerciais, jogada no nono círculo do inferno de Dante.

É hora então de recuperar o brilho, a cremosidade e o sabor único que a manteiga confere à muitas receitas. Ninguém vai nadar num mar de manteiga e muito menos usá-la todos os dias. Mas na receita certa e na hora certa, é um ingrediente delicioso e insubistituível. Que o diga a iguaria que é um bom pão com uma manteiga de primeira.

O SUPOSTO VILÃO DA CONTA

Quem gosta de acompanhar seu jantar em restaurante com vinhos está acostumado a sutís olhares de desaprovação quando este é solicitado ao sommelier ou ao garçon. Quando todos vão beber vinho, ok, mas quando o gosto geral é por drinks e cervejas a mensagem sublimar que fica é que a conta triplicará porque o vinho foi pedido.

Por educação e justiça, o vinho poderia ser pago a parte. Mas se for este o caso, as demais bebidas também deveriam.

Se é um vinho de custo médio, uma garrafa vai custar quase o mesmo que três caiprinhas. E se as cervejas pedidas forem artesanais, vai custar a mesma coisa. E ainda se a quantidade de chops bebidos for grande tudo deveria ser então conferido no final, inclusive o preço dos pratos. Sim, porque algumas pessoas não comeram a entrada, outras não querem sobremesa e sempre alguém pede um prato mais caro que outro.

É desagradável no fim de uma refeição compartilhada em restaurante ser feito uma auditoria minunciosa da conta computando até a água mineral. Mas não é justo uma garrafa de vinho de preço médio - e oferecida a outras pessoas - ser responsabilizada pelo valor mais alto da conta. No fundo ainda é um preconceito sobre o suposto caráter elitista do vinho.

Dentro do bom senso e sem uma diferença de valores média expressiva nos pedidos gerais, deve-se seguir o clássico “sentou junto, pagou junto”. E sem olhares reprovadores porque uma garrafa de vinho foi pedida.

QUATRO PRATOS E UM FUNERAL

 

Descontração é a palavra de ordem no mundo de hoje. A geração que fez bilhões com a internet e tecnologia se veste de forma simples e descomplicada  cultivando hábitos de vida relaxados e informais. Muita frescura para comer está fora, ninguém mais quer jantar em restaurantes excessivamente silenciosos e tensos, isto ficou para trás nos anos 80. Comer é relaxar, curtir o momento, descontrair e ter prazer. Clima de velório em restaurantes não traz prazer para ninguém. Enquanto isto, casas de boa comida em ambientes leves e por que não, bem montados, fazem a alegria dos clientes.

novo sistema

Estamos com novo sistema  para conseguirmos trazer mais informações a vocês usuários.

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CURSO DE GASTRONOMIA - 1º SEMESTRE DE 2013

FEDERER, MADONNA E MORTADELA

 

Federer come sanduíche de mortadela

FEDERER, MADONNA E MORTADELLA

 

Roger Federer foi confundido com Madonna ao comer o famoso  sanduíche de mortadela do Mercadão de São Paulo. Acostumado com mortadelas de
sabores excepcionais, o tenista conseguiu fazer um simpático comentário  definindo seu sabor como “exótico”.

Federer provou também meio bolinho de bacalhau , segundo  matéria publicada pela Folha de SP. É conhecido o sacrifício que celebridades , ídolos e políticos tem que fazer ao comer muitas vezes coisas de que não gostam  para agradar seu público. E a confusão de  identidade com Madonna foi engraçada, tal foi o tumulto provocado no mercado.

Todos querem ser Roger Federer. Nunca ví nenhum, mas nenhum  mesmo tenista ou aficionado por esporte (inclusive os comentaristas de tv) que
não torcem para que Federer ganhe sempre. Até quando ele perde os comentários  são sempre elogiosos como o “olha a classe com que ele perde”, onde o  foco sobre a sua derrota e os elogios ao seu cavalheirismo suplanta os elogios  sobre a vitória do oponente.

Federer é uma unanimidade, deve ser porque é jovem, bonito,  rico, discreto, casado com uma mulher bonita e suiço. Muita gente, com certeza,  gostaria de ser Roger Federer.

 

E sua visita ao mercadão confirma o que o faz simpático :
sobreviveu com calma ao tumulto gerado, encarou com sorriso os gritos de
“Rogé, Rogé, Rogé” das mulheres, provou frutas e quando informado que
a pitaia era afrodisíaco brincou que “é bom para fazer bebês.”

PORN FOOD

 

Porn food não é comida erótica, fálica e muito menos receitas inspiradas no livro “Cinquenta Tons de Cinza”(alguém ainda aguenta este assunto?). Chistrian Gray a parte, Porn Food é um termo usado hoje com frequência que associa a exposição de comida em jornais e revistas com a mesma exposição de homens e mullheres sarados, siliconados e tal. Ou seja, comida feita para seduzir pelo olhar, para “sair bem na foto” nos seus melhores e mais sedutores ângulos.

Comida é diretamente relacionado com sensualidade, todo mundo sabe. Mas num mundo onde magreza quase esquelética é relacionado à sedução, é no mínimo inusitado porn food ter chamado atenção. Independente de quantos pontos tem uma receita nos vigilantes do peso, porn food celebra o poder sedutor, sensual e erótico de uma comida voluptosa, carnuda, recheada e gostosa.

Algo que nutricionistas fundamentalistas (e fanáticos por nutricionistas) deveriam experimentar.

DICAS PARA JAMES BOND

 
 
Gosto dos filmes de James Bond, de alguns mais do que de outros. Mas agora que o 007 fez 50 anos, a franquia mais longeva da história do cinema ganhou ares de cult com direito à artigos em revistas em todo o mundo e livros caprichados de edição comemorativa.
 
A discussão de “quem é o melhor Bond” esquenta um pouco estas publicações, Sean Connery segue imbatível, Roger Moore é tido como a leitura mais perfeita do agente criado por Ian Flemming e Daniel Craig está agradando. O universo de James Bond todo mundo conhece: os melhores carros do mundo, nos melhores hotéis, nos melhores restaurantes onde pode-se esbanjar o “charme” do que o muito dinheiro pode comprar. E claro, o mais importante de tudo: as bond-girls.
 
Começando com a estonteante cena de Ursula Andrews saindo do mar de biquini branco com uma arma na cintura, as Bond-girls são fundamentais nos filmes de 007 chocando feministas e promovendo ou derrubando a carreira de atrizes “cults” ou ‘inteligentes” (como se inteligência fosse até hoje incompatível com ser bonita e sexy).
 
Ok, James Bond é hoje um marco da cultura pop ocidental, com mérito e louvor! Mas seria bacana a franquia se renovar e que dessem ao agente 007 além da licença para matar, licença para sair do chato e caricato mundo dos bilionários.
 
Bond deveria conhecer vários restaurantes pelo mundo afora onde por 32 euros degusta-se um menu inesquecível, numa ambiente amigável, com serviço perfeito e informal. Alguém deveria avisá-lo que estes restaurantes são hoje destaque nos canais mais bem informados do que acontece na gastronomia internacional e que muitas possíveis Bond-girls jantam e almoçam por alí. O “La regalade” em Alesia ou o “Le Baratin” em Bellville (ambos em Paris) por exemplo, são duas boas sugestões. E aí também dá para descansar dos “satânicos Dr.No” da vida e dos “homens com pistola de ouro”(sem trocadilhos, por favor).